Psicóloga Telma Januário destaca que cuidar de si é um ato de resistência e de valorização da própria vida.

Com a chegada de outubro, o Outubro Rosa volta a lembrar a importância da prevenção ao câncer de mama e do autocuidado feminino. Mas, além da saúde física, o mês também traz um lembrete essencial: cuidar de si é um gesto de valor.

Muitas mulheres ainda aprendem, desde cedo, que o cuidado deve ser voltado para os outros — filhos, parceiros, pais, trabalho. E quando finalmente se voltam para si, fazem isso com culpa, como se o autocuidado fosse um luxo, e não uma necessidade.

Essa mesma lógica atravessa o mundo do trabalho e ajuda a explicar o desvalor do cuidado feminino, frequentemente tratado como algo “natural” e, por isso, pouco reconhecido. No entanto, o cuidado — inclusive o de si — exige trabalho emocional, físico e simbólico. É uma forma de resistência, num mundo que ainda espera que a mulher aguente tudo, sempre sorrindo.

“O cuidado, inclusive o de si, é resistência num mundo que ainda espera que a mulher aguente tudo, sorrindo”, afirma a psicóloga Telma Januário.

No consultório, Telma observa que essa herança cultural se manifesta em exaustão, ansiedade e numa constante sensação de estar devendo algo. “Cuidar de si não é se ausentar do mundo — é se preparar para continuar nele, inteira”, destaca.

Para ela, corpo e emoção caminham juntos, e o corpo que sente, descansa e se cuida também é o corpo que produz, cria e transforma.

O Outubro Rosa é sobre prevenção, mas também sobre presença — sobre escutar o próprio corpo, se olhar com gentileza e reconhecer o próprio valor.

💬 “Eu mereço cuidado. Eu mereço pausa. Eu mereço me priorizar.”

Porque o cuidado que as mulheres oferecem ao mundo começa no modo como aprendem a cuidar de si mesmas.
E esse cuidado, mais do que nunca, tem valor.

Telma Januário – Psicóloga

Edição : Edilson Correia

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