Por Tadeu França – ex-deputado federal constituinte

A Faixa de Gaza vive um dos períodos mais sombrios de sua história recente. A destruição em massa, o bloqueio de suprimentos essenciais e o número crescente de civis mortos — muitos deles crianças — têm levado observadores a comparar a situação atual com os horrores dos campos de concentração do século XX.

A diferença, no entanto, é amarga e simbólica: os algozes de hoje não são os nazistas de Adolf Hitler, mas, ironicamente, descendentes das vítimas de outrora.

Não há registro histórico de que os nazistas tenham utilizado alimentos como alvos deliberados de tiros de fuzis ou metralhadoras. Em Gaza, no entanto, relatos apontam para cenas em que crianças famintas, ao tentar alcançar alimentos, acabam atingidas por disparos letais. Um quadro de desumanidade que choca e silencia.

A história bíblica de Herodes, que mandou matar crianças em Belém para eliminar o recém-nascido Jesus, ganha ecos dolorosos nos dias atuais. Segundo denúncias de organizações internacionais, o atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tem autorizado ações militares sem restrições de idade, vitimando inclusive bebês e suas mães.

Recentemente, o foco da mídia internacional se voltou ao confronto entre Israel e Irã, após trocas de mísseis e ataques com drones. No entanto, segundo analistas, esse episódio serviu também como distração estratégica, reduzindo a atenção global aos assassinatos cotidianos de civis em Gaza — inclusive de voluntários que arriscam a vida para levar água e comida à população.

Em meio a tudo isso, o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza restringe não apenas alimentos, mas também o acesso à água potável, afetando crianças, idosos e famílias inteiras. O sofrimento é generalizado.

Comparações com figuras históricas como Hitler voltam ao debate. Em termos de brutalidade, afirma-se que o líder nazista teria “muito a aprender” com o atual premiê israelense, uma provocação que escancara a indignação de parte da opinião pública mundial.

Enquanto a ONU realiza pronunciamentos em defesa da paz e da proteção dos civis, líderes como Netanyahu e o presidente americano Donald Trump são acusados de ignorar tais apelos. E Gaza, pequeno território espremido entre o mar e o desespero, vai se tornando, dia após dia, uma lembrança viva dos piores capítulos da humanidade — um campo de concentração moderno, que remete a nomes como Dachau e Auschwitz.

Professor Tadeu França