
Pequim/Moscou — China e Rússia reagiram com forte condenação à operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, classificando a ação como uma grave violação da soberania nacional da Venezuela e um ataque direto aos princípios do direito internacional.abcnews.go.com/
Em nota oficial, o governo chinês afirmou estar “profundamente chocado” com o uso da força por parte dos Estados Unidos contra um Estado soberano. O Ministério das Relações Exteriores da China destacou que a operação desrespeita a Carta das Nações Unidas e cria um precedente perigoso nas relações internacionais, ao normalizar intervenções militares unilaterais sob justificativas políticas ou judiciais.
Pequim também reforçou que a crise venezuelana deve ser resolvida exclusivamente por meio do diálogo entre os próprios venezuelanos, sem interferência externa. Para o governo chinês, ações desse tipo aumentam a instabilidade regional, agravam tensões globais e enfraquecem os mecanismos multilaterais construídos após a Segunda Guerra Mundial.
Já a Rússia adotou um tom ainda mais duro. O governo russo classificou a operação como uma “agressão armada” e acusou Washington de agir como uma potência que ignora deliberadamente normas internacionais quando seus interesses estratégicos estão em jogo. Moscou afirmou que a captura de um chefe de Estado no exercício do poder representa uma escalada sem precedentes e um risco real à segurança internacional.
Autoridades russas também denunciaram o que chamaram de “uso político do sistema judicial” por parte dos Estados Unidos, alertando que esse tipo de ação pode ser replicado contra outros países que não estejam alinhados à política externa norte-americana. Segundo Moscou, o episódio reforça a necessidade de um mundo multipolar, no qual nenhuma nação atue acima das leis internacionais.
Tanto China quanto Rússia defendem que qualquer mudança política na Venezuela deve ocorrer por meios diplomáticos e negociados, com participação de organismos multilaterais e respeito à autodeterminação dos povos. Os dois países indicaram que levarão o caso a fóruns internacionais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU, onde prometem questionar a legalidade da operação americana. abcnews.go.com/
A reação conjunta de Pequim e Moscou evidencia não apenas o apoio político à Venezuela, mas também a crescente disputa geopolítica com os Estados Unidos, em um cenário global marcado por tensões, redefinição de alianças e questionamentos sobre os limites do poder militar e jurídico das grandes potências.
Edição: Edilson Correia