Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ranking da consultoria Moneyou analisou 40 países. Turquia e Argentina aparecem na sequência. No Brasil, Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano.

O Brasil ocupa a primeira posição no ranking dos países com os maiores juros reais do mundo, com taxa de 9,05%, segundo levantamento divulgado pela consultoria de mercado Moneyou nesta semana. O estudo analisou 40 países e aponta uma média de 1,27% entre as economias avaliadas.

Na sequência aparecem Turquia, com 7,77%, e Argentina, com 6,80%. Rússia e Colômbia completam os cinco primeiros colocados.

O juro real corresponde à taxa de juros descontada a inflação. É um indicador utilizado para avaliar o custo efetivo do dinheiro e o retorno dos investimentos após considerar a perda do poder de compra provocada pelo aumento dos preços.

Brasil lidera ranking de 40 países

Confira os dez países com os maiores juros reais, segundo o levantamento da Moneyou:

PosiçãoPaísJuro real
1ºBrasil9,05%
2ºTurquia7,77%
3ºArgentina6,80%
4ºRússia6,57%
5ºColômbia4,05%
6ºIndonésia3,67%
7ºMéxico3,26%
8ºÁfrica do Sul2,93%
9ºHungria2,04%
10ºChile1,69%

No levantamento anterior, publicado em setembro, o Brasil também ocupava a primeira posição, mas com juro real de 8,45%. O resultado mais recente representa uma elevação de 0,60 ponto percentual.

Banco Central mantém Selic em 13,75%

O resultado do ranking ocorre em um cenário de juros básicos elevados no país.

Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo a trajetória de redução iniciada em abril.

Em comunicado, o Comitê informou que as incertezas econômicas aumentaram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação permanecem acima da meta estabelecida.

O Banco Central utiliza a Selic como principal instrumento para controlar a inflação. Quando os juros estão elevados, o crédito tende a ficar mais caro, o que pode reduzir o consumo e os investimentos e contribuir para desacelerar a alta dos preços.

O índice de inflação acumulado em 12 meses passou de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta, de 4,5%, conforme os dados apresentados na reportagem da Agência Brasil.

Juros elevados geram críticas da indústria

A manutenção da Selic em 13,75% ao ano tem sido alvo de críticas de representantes do setor produtivo.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera injustificável a manutenção dos juros nesse patamar e afirma que o custo elevado do crédito prejudica empresas e famílias.

O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a possibilidade de continuar reduzindo os juros em ritmo compatível com o controle da inflação, sem impor custos adicionais à economia.

Dívida pública também entra no debate

Outro ponto relacionado aos juros elevados é o impacto sobre as contas públicas.

Segundo dados do Banco Central citados pela Agência Brasil, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão nos últimos 12 meses, valor equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O endividamento público também está no centro das discussões econômicas. A dívida bruta passou de 71,7% do PIB em 2022 para aproximadamente 82,9% em agosto de 2026.

Parte dos agentes do mercado financeiro defende a redução de gastos públicos como forma de estabilizar a dívida. Já economistas críticos à política monetária do Banco Central destacam que o elevado custo dos juros também contribui significativamente para o crescimento do endividamento.

O debate envolve, portanto, diferentes avaliações sobre os caminhos para controlar a inflação, estimular a economia e manter o equilíbrio das contas públicas.

Fontes: agenciabrasil.ebc.com.br, consultoria Moneyou e Banco Central do Brasil.

Leia também: Brasil tem maior juro real do mundo, seguido por Turquia e Argentina – Agência Brasil.

Matéria elaborada com redação e edição de Edílson Correia, com base em informações da Agência Brasil e dados do levantamento da consultoria Moneyou.

Da Redação – Edílson Correia edilsoncorreia.co.br