O Brasil é realmente nosso ou já se tornou espólio anônimo das multinacionais? A presença crescente de potências estrangeiras — da Europa aos Estados Unidos, e mais recentemente a China — tem desafiado a concorrência nacional, desbotando o desenvolvimento do país diante da implacável lógica do mercado global.mercados-globais

O consumo de produtos importados tornou-se rotina. “Vá pelo importado, amigo”, dizem alguns. “De fato, o nacional não vale a pena.” O debate sobre produtos chineses ilustra a contradição: “Pode não ser das melhores, mas o preço é menor que a produção local”, argumenta outro.

Essa preferência fragiliza as empresas brasileiras e contribui para o desemprego, parcialmente mascarado pelo programa Bolsa Família. Enquanto o imposto nacional pesa sobre tudo que se vende ou se compra, muitas pequenas empresas — que geram a maior parte dos empregos — não sobrevivem além de um ano, sufocadas pela carga tributária. Já a China oferece incentivos fiscais apenas sobre os lucros, estimulando seus investidores.

A concentração da terra no Brasil também reflete um retorno às antigas capitanias hereditárias. Grandes conglomerados, como os associados da Cosan, controlam 1,3 milhão de hectares, enquanto a família Maggi possui 600 mil hectares. O fenômeno se agrava com o interesse internacional em recursos estratégicos. Somente neste ano, a venda de terras raras para a China triplicou, enquanto o país asiático mantém restrições severas à venda de seu próprio solo.

Apesar da lei 5.709/71 limitar a participação estrangeira a 25% do território municipal, grande parte da área brasileira está sob exploração de empresas europeias e norte-americanas. O sistema tributário brasileiro não contribui para a competitividade: impostos sobre renda, propriedade e consumo geram pavor, em contraste com a China, que mantém alíquotas zero sobre bens e serviços estratégicos e isenção de imposto predial para residências.

O ex-senador constituinte Jarbas Passarinho já alertava que “todas as indústrias de madeira amazônica, à exceção da Breves Industrial S.A, foram vendidas a empresas norte-americanas, beneficiadas por baixos preços da mão de obra, isenções fiscais e facilidades para transferência de lucros ao exterior”.

O cenário revela uma contradição: um povo majoritariamente pobre vivendo em um país rico, enquanto companhias internacionais assumem o controle de empresas nacionais e do campo, ampliando desigualdades e minando a soberania econômica do Brasil.

Professor Tadeu França

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