Campanha busca ampliar o diálogo com as famílias e conscientizar a população sobre um gesto que pode representar uma nova chance de vida para quem aguarda por um transplante

A Câmara Municipal de Maringá abriu, nesta terça-feira (1º), as ações do Setembro Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. A iniciativa foi apresentada durante a sessão ordinária e contou com a participação de Claudemir Aparecido Ferreira, presidente da ONG Vidas Gerando Vidas.

Convidado pela presidente da Câmara, vereadora Majô, Claudemir falou aos parlamentares sobre a importância de levar informação à sociedade e, principalmente, incentivar as famílias a conversarem sobre a doação de órgãos.

A campanha chama atenção para uma realidade que envolve milhares de brasileiros que aguardam por um transplante. Para essas pessoas, a doação pode significar a possibilidade de continuar vivendo, retornar para casa e realizar novos projetos.

“A dor da despedida pode se tornar esperança”

Durante a sessão, Majô destacou o significado humano da doação de órgãos. Segundo a presidente da Câmara, um momento marcado pela dor da despedida pode também representar esperança para outras famílias.

A parlamentar aproveitou ainda para anunciar uma nova ação relacionada ao Setembro Verde. No dia 10 de setembro, a Câmara de Maringá receberá um ônibus destinado à doação de sangue e ao cadastro de doadores de medula óssea.

Majô convidou vereadores, servidores e a população para participarem da iniciativa, especialmente diante da necessidade de manter abastecidos os bancos de sangue.

História de Matheus emocionou os participantes

Um dos momentos mais marcantes da sessão ocorreu durante o relato apresentado por Claudemir Ferreira.

Ele compartilhou parte da história de Fernanda Gabriela Favaro, trabalhadora do Samu que enfrentou a perda do filho, Matheus Gabriel, vítima de um acidente de trânsito em Maringá.

Mesmo diante da dor provocada pela morte do filho, Fernanda autorizou a doação dos órgãos. O gesto possibilitou que outras pessoas tivessem uma oportunidade de continuar suas próprias histórias.

O relato mostra a dimensão de uma decisão tomada em um dos momentos mais difíceis para uma família. A história de Matheus também reforça a importância de conversar antecipadamente sobre a doação, para que os familiares conheçam a vontade da pessoa.

Um gesto que continua depois da despedida

A família de Matheus traduz uma das principais mensagens do Setembro Verde: a doação de órgãos pode transformar uma perda em esperança para outras pessoas.

Ao autorizar a doação, uma família pode contribuir para que órgãos e tecidos sejam destinados a pacientes que aguardam por um transplante.

Por isso, além de falar sobre o tema, a campanha busca estimular uma atitude simples: conversar com os familiares sobre o desejo de ser doador.

Família tem papel fundamental na decisão

No Brasil, a autorização da família é fundamental para que a doação de órgãos seja efetivada.

Por esse motivo, manifestar o desejo de ser doador aos familiares é uma atitude importante. Não basta apenas ter a intenção pessoal. Em uma eventual situação de morte com possibilidade de doação, os familiares precisam conhecer e autorizar o procedimento.

A campanha Setembro Verde procura justamente ampliar essa conversa antes que uma situação de emergência aconteça.

Falar sobre o assunto com antecedência pode ajudar a família a compreender a vontade do potencial doador e tomar uma decisão consciente em um momento de grande fragilidade emocional.

“Pare, Pense, Doe. A Vida Continua”

A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) utiliza na campanha a mensagem “Pare, Pense, Doe. A Vida Continua”.

O slogan resume a proposta do Setembro Verde: parar por alguns minutos, refletir sobre a importância da doação e conversar com as pessoas mais próximas.

A conscientização também contribui para enfrentar um dos principais desafios relacionados aos transplantes: a recusa familiar.

Quanto mais informação a população tiver sobre o processo de doação, maiores são as possibilidades de que o assunto seja tratado com clareza e responsabilidade.

Câmara terá ação de doação de sangue e medula

As atividades do Setembro Verde terão continuidade em 10 de setembro, quando um ônibus estará na Câmara de Maringá para a coleta de sangue e o cadastro de possíveis doadores de medula óssea.

A ação deverá envolver vereadores, servidores, assessores e moradores interessados em contribuir.

Além de reforçar a campanha de conscientização sobre a doação de órgãos, a iniciativa amplia o debate sobre solidariedade e participação comunitária.

Setembro Verde chama a população para uma conversa necessária

A campanha realizada pela Câmara de Maringá coloca em evidência um assunto que muitas vezes é evitado pelas famílias: falar sobre o que fazer diante da morte.

Entretanto, conversar sobre a doação de órgãos não significa apenas tratar de um momento de despedida. Significa também pensar na possibilidade de oferecer uma nova oportunidade para alguém que espera por um transplante.

A história de Matheus Gabriel, apresentada durante a sessão, mostrou justamente esse lado da doação. Mesmo diante de uma perda irreparável, a decisão da família permitiu que a solidariedade ultrapassasse aquele momento de dor.

No Setembro Verde, a principal mensagem é direta: converse com sua família, informe sua vontade e ajude a manter viva a possibilidade de salvar outras vidas.

fonte https://www.cmm.pr.gov.br/

Edição: edilson Correia

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