
Brasília, 8 de fevereiro de 2026 — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmaco vigilância reforçando os riscos associados ao uso de medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, que contêm substâncias agonistas do receptor GLP-1 e são amplamente utilizados no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, muitas vezes fora de indicação médica e sem supervisão adequada./anvisa/
Dados Oficiais mostram Aumento de Eventos Adversos
De acordo com dados obtidos junto ao sistema VigiMed, que monitora reações adversas de medicamentos no Brasil, a Anvisa contabilizou 225 notificações de casos de pancreatite possivelmente ligados ao uso desses medicamentos desde 2018, incluindo seis mortes suspeitas. Esses casos envolvem substâncias como semaglutida, liraglutida, tirzepatida, dulaglutida e lixisenatida — princípios ativos presentes em produtos como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e outros.
As ocorrências foram reportadas em diferentes estados brasileiros, como São Paulo, Bahia, Paraná e Distrito Federal, evidenciando que o problema não se restringe a um único local. cnnbrasil
O Alerta da Anvisa
Em seu Alerta 02/2026 (Farmacovigilância), publicado recentemente, a Anvisa destaca que:
O uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas em bula — especialmente para fins estéticos ou “emagrecimento rápido” — pode aumentar o risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda e até quadros com desfecho fatal.
A pancreatite já está descrita nas bulas como possível efeito adverso, mas os números do Brasil e do exterior revelam um aumento nas notificações que exige atenção.
A agência reforça a necessidade de acompanhamento médico e alerta que esses medicamentos só devem ser usados conforme indicação clínica e com receita retida pela farmácia.
A Anvisa orienta que pacientes que desenvolvam dores abdominais intensas, com irradiação para as costas, acompanhadas de náuseas ou vômitos persistentes, devem procurar atendimento médico imediatamente, pois esses podem ser sinais de pancreatite aguda.
Contexto Internacional
O alerta brasileiro coincide com avisos de outras agências regulatórias internacionais. Recentemente, a agência de saúde do Reino Unido (MHRA) também reforçou preocupações após registrar casos graves de pancreatite e mortes associadas ao uso de medicamentos da mesma classe, como Mounjaro e Wegovy.
Riscos do Uso Indevido
Especialistas em saúde pública vêm chamando a atenção para o fato de que o uso desses medicamentos sem avaliação médica e o seu acesso por canais irregulares — como aquisição pela internet ou fronteiras com prescrição questionável — amplificam os riscos. Entre os principais pontos de atenção estão:
Falta de controle adequado de dose e indicação clínica.
Possibilidade de agravamento de problemas pancreáticos contrastando com as expectativas de emagrecimento rápido.
Dificuldade de identificar e monitorar efeitos adversos em usuários que não estão sob supervisão profissional.
Regras no Brasil
Desde junho de 2025, a Anvisa adotou uma política de retenção de receita médica para a venda de medicamentos agonistas de GLP-1, como forma de reduzir a automedicação e promover o uso responsável desses tratamentos.
O que Isso Significa para os Usuários
Embora os casos de pancreatite relacionados ao uso dessas canetas sejam considerados raros em termos percentuais, o aumento das notificações levantou um sinal de alerta para pacientes, profissionais de saúde e autoridades sanitárias. A recomendação é clara: não utilizar esses medicamentos sem indicação médica e acompanhamento especializado.
Informações e fonte https://www.gov.br/anvisa/pt-br
Edição: Edilson Correia
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