Multi-instrumentista revolucionário deixa legado de inovação e liberdade criativa que encantou o mundo

O Brasil perdeu neste sábado (13) um de seus maiores gênios musicais. Hermeto Pascoal, compositor, arranjador e multi-instrumentista conhecido mundialmente como o “Bruxo” da música, faleceu no Rio de Janeiro, aos 89 anos. Internado desde o fim de agosto no Hospital Samaritano Barra, Hermeto enfrentava um quadro de fibrose pulmonar avançada que evoluiu para falência múltipla dos órgãos.
Nascido em Lagoa da Canoa (AL), em 1936, Hermeto construiu uma trajetória marcada pela ousadia e pela quebra de fronteiras musicais. Capaz de transformar sons do cotidiano — de chaleiras a brinquedos — em poesia sonora, ele transitou com naturalidade pelo jazz, pela música popular brasileira, pelo erudito e pelo experimentalismo. Essa liberdade o projetou internacionalmente, rendendo parcerias com nomes como Miles Davis, Airto Moreira, Elis Regina e Sivuca.
Mais do que músico, Hermeto era um criador inquieto. Em suas apresentações, o improviso e a surpresa eram elementos constantes, sempre com a missão de extrair música de tudo o que o cercava. Essa postura lhe rendeu o apelido de “Bruxo”, símbolo de sua inventividade sem limites.
A notícia de sua morte gerou uma onda de homenagens nas redes sociais, com artistas, produtores culturais e fãs destacando a genialidade de Hermeto e a importância de sua obra para a cultura brasileira. “Hermeto reinventou a forma de ouvir e sentir música. Sua partida é irreparável, mas seu legado é eterno”, escreveu um colega músico.
Hermeto deixa filhos, netos, uma legião de discípulos e um repertório que segue inspirando músicos no Brasil e no exterior. Seu velório e enterro devem ser realizados no Rio de Janeiro, com cerimônia restrita à família.
A música brasileira perde um mestre, mas o mundo seguirá ecoando a magia do “Bruxo” Hermeto Pascoal.